Verde (ou colírios para os olhos)

Apesar da alegria que lhe tomava conta devido aos acontecimentos recentes ao longo do dia, ele havia chego no “brilho” em casa e não tinha planos para sair. Seus amigos da faculdade lhe telefonaram para uma cerveja amiga, porém, é de conhecimento de todos os bons bebedores, que não existe UMA cerveja amiga. Elas normalmente ultrapassam a contagem dos dedos das mãos.

Mas como suas duas últimas semanas foram regadas a largas noites trocadas pelos dias, seguido de muita coca-cola nas manhãs seguintes e sua alegria contagiante ainda pulsva em seu sangue, não soube dizer não e mais uma vez brincou de ser morcego pela noite.

Com a facilidade de um carro tudo fica perto, considerando também o tamanho da pequena cidade. Em poucos minutos os quatro foram para um lado que não é muito frequente por eles, mas que também trás boas opções. Não só boas como novas, pois acabaram entrando em um antro, uma casa – ou como queiram chamar -, que nunca haviam ido.

O local estava bem vazio, apenas um dos dois andares estava aberto ao público, e mesmo assim, parte da área ocupada estava fechada também. Entretanto, deve ser levado em consideração que se tratava de uma terça-feira de dezembro, período que a galera tá atolada com seus trabalhos finais.

Ao lado do bar, cada um com seu copo de cerveja, apreciavam um bom rock’n roll enquanto adimiravam as garotas ali presentes.

Um degustava sua cerveja, o outro dançava loucamente. O terceiro trovava a bargirl, seja pra levar pra casa, seja conseguir desconto na próxima bebida, e ele escorado em uma parede, só observando tudo que acontecia por lá. Nada escapava de seus olhos: as rodas de dança, as garotas, o DJ mixando o som, a bargirl, a galera jogando conversa fora no balcão, os casais sentados nas mesinhas do fundo…

Foi então que ela apareceu. Discreta e sozinha. Não é qualquer um que notaria sua presença logo de cara. Cabelo preso, levemente caído, calça jeans, um sapato de salto com os pés a mostra  e uma camiseta cinza com a gola propositalmente cortada  e com o Zé Carioca estampado.  “Meu Deus, quem é que vai pra uma festa com uma camiseta com o Zé Carioca estampado? Quem é que tem uma camiseta com o Zé Carioca estampado?”, pensou. Era muita ousadia. Ela conseguia chamar atenção e ser discreta ao mesmo tempo. Provocante e modesta.

Atravessou o salão séria com uma garrafinha de água em uma das mãos. Parou perto do balcão e enquanto parecia que procurava alguém conhecido, se divertia com os raios de luz, tentando pegá-los, como se nunca tivesse ido a uma festa.

Ao perceber que estava sendo observada, abriu um singelo sorriso. E que sorriso! Ele durou por poucos segundos, mas foi o suficiente para perceber sua sinceridade e suas covinhas.

Mas foi só. Apenas uma rápida troca de olhares e a apresentação de um belo sorriso. Logo ela já encontrara os amigos que procurava e como se estivesse saltitando, foi de encontro a eles.

Provavelmente ela era dançarina. No seu caminhar já era visível uma leveza distinta. Sua cintura e seu tronco pareciam dois corpos distintos. Quando ela entrou na dança ela mexia todos as partes do corpo de uma maneira sincronizada e perfeitamente proporcional.

Ele não conseguia tirar os olhos dela. Estava hipnotizado. E como não estaria…ela transbordava sensualidade. Mas não era para qualquer um. Apenas para aqueles que sabem admirar sem “babar”.

Era definitivamente um colírio para os olhos em plena terça-feira. (fato que não acontece nos finais de semana).

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