O poder de uma novela

Uma das maiores facinações do povo brasileiro, são as novelas aqui produzidas. São realmente produções incríveis. Produto de exportação, é um sucesso no exterior, do mesmo modo que os filmes Holiwoodanos são para os Estados Unidos, as novelas são para o Brasil.

Mas, assim como os filmes de Holiwood já cairam numa tendência repetitiva padronizada, com mocinho, mocinha e vilão, – e isso independe de ser filme de ação, aventura, comédia ou drama – e com final feliz, as novelas também seguem um padrão. Com mocinhos, mocinhas e vilões. Tem gente que morre no meio da novela e ninguém sabe quem matou e a dúvida segue até o último capítulo. Sem esquecer dos casamentos e dos inumeros trabalhos de parto que acontecem, terminado tudo em final feliz também.

Bem, na relidade, na contemporaneidade, nada mais se cria, tudo se copia. Neste caso, depois que descobriram a fórmula do sucesso para vender as novelas, muda-se o nome, o cenário, os personagens, mas de resto, a história é sempre a mesma.

E é incrível como isso vende. Como o povo se interessa e nem percebe que a novela atual, é igual a anterior, que é igual a anterior e que será igual a futura. A novela sempre foi um meio de manipulação. Todavia, antigamente, além de mais criativa e original, ela procurava fazer uma crítica a sociedade da época, ou o governo vigente. 

Atualmente, as críticas foram deixadas de lado e passaram a ser tratados temas polêmicos pertinentes a sociedade, pautando a mídia, de maneira que as pessoas acabam usando como argumento “o caso da novela”. Quer dizer, a novela fala sobre um assunto específico e a mídia passa a produzir mais notícias sobre o o fato na vida real e, não raramente, comparando com o acontecimento da novela.

Hoje a novela se tornou ainda mais, uma maneira de formar opinião e  isso é visto de maneira escancarada. A construção de um personagem determina se ele será bandido ou mocinho e alguns casos, o que é desenhado como bandido, passa a ser visto como bandido na vida real também. E vice-versa.

Me lembro vagamente de um exemplo que aconteceu na Malhação, no mesmo período (coincidentemente, claro) da onda de greves e invasões às reitorias, em especial na USP e na UnB, que levaram a queda dos seus respectivos reitores, por uso ilícito de verbas públicas para benefício próprio. 

Na novela – se é que podemos chamá-la assim, por ela não ter fim e ninguém se lembrar mais como ela começou – o fato foi que, um grupo de estudantes estavam tentando organizar um Grêmio Estudantil. E era engraçado ver a maneira como eles faziam a inversão de valores, pois  aqueles que gostariam de fazer revindicações estudantis, ou protestar por melhorias na escola, eram desenhados como os baderneiros, que se vestiam de preto, que matavam aula e etc e tal. Já os bonzinhos eram aqueles que simplesmente queriam fazer festas e organizar atividades de auto-promoção, pois afinal, popularidade é o que importa.

Logicamente, a construção da imagem desses personagens na novela, foi refletida na vida real. No caso real, muita gente passou a ver aqueles manifestantes como baderneiros, que só querem matar aula e bla bla bla.

E inocente é quem não acredita nisso. Que pensa que isso é mera coincidência, ou fruto da imaginação de alguém que acredita na Teoria da Conspiração.

Mas é lógico que é muito melhor tentar saber quem matou Odeth Roithman, do que saber onde a governadora tirou dinheiro pra comprar sua casinha, ou que aconteceu com os cidadãos envolvidos no mensalão. Estão presos? Devolveram o dinheiro da cueca?

Conclusão: Vida real é um saco! viva a novela!

Uma resposta para O poder de uma novela

  1. […] bizarrices do nosso Congresso. Quem gosta de política – e deveriam, pois é igual ou melhor que novela, tendo por vezes, cenas engraçadas, dramáticas, que mesclam mocinhos e bandidos – não pode […]

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