“Em 20 anos trabalhando nesta Indústria Vital, esta é a primeira vez que isso me acontece”

Hoje vi que o jornalismo tem salvação.

Quem me conhece sabe que não tenho grandes admirações pela Zero Hora e seu estilo jornalístico corporativo. Mas assim como não podemos dizer que todo político é corrupto, que todo petista é de esquerda, não podemos colocar no mesmo saco, todos os jornalistas desta empresa de jornalismo e dizer que eles são sutis manipuladores, formadores de opinião. 

Sim, eu realmente estou falando isso. Não podemos generalizar e dizer que todos são tendenciosos. Não quer dizer que um dia não virem, mas por enqunato, há as exceções da regra.

A prova disso foi hoje, quando li a seguinte matéria do jornalista Humberto Trezzi, no site da ZH:

Zero Hora mostra o pesadelo chamado Vila Chocolatão
Área se transformou em chaga urbana no centro da Capital

“Até no lixão nasce uma flor”, avisa o grafite desenhado com capricho num dos muros de entrada da Vila Chocolatão, no coração de Porto Alegre. Pode ser. Mas o mais comum é nascerem ali ratos do tamanho de gatos, gatos do tamanho de cães, pombos que ingerem sobras de comida e crianças que brincam em meio ao lixo. Vez que outra se avista uma planta, em um daqueles bem-vindos caprichos da natureza.

A Vila Chocolatão, situada ao lado do prédio marrom da Receita Federal, o que lhe garantiu o apelido, é um pesadelo urbano que teima em assombrar a Capital. Vive imersa no lixo e dele tira seu sustento, já que a comunidade revende aquilo que é rejeitado pelos moradores do Centro. Sacos e mais sacos de detritos se empilham no fundo dos casebres, uma armadilha que assusta qualquer quem conhece o local.

As malocas não têm água encanada ou saneamento. A criançada passeia de pés descalços em meio a línguas negras de esgoto a céu aberto, até por falta de que fazer – inexistem creches na vila. As poças de água misturada a fezes estão sempre repletas de mosquitos e larvas de insetos. Poucos barracos dispõem de banheiros, a maior parte utiliza sanitários coletivos doados pela prefeitura.

A principal entrada, que deveria ser o cartão-postal da vila, está tomada por um lixão ao ar livre. Acocorados, moradores disputam ali sacos de detritos apodrecidos. Catam sobras de papel, metal e plástico para vender. Mais do que a principal, essa é praticamente a única atividade econômica da comunidade.

Início da formação foi na década de 80

A separação do lixo seco (rentável) do orgânico (jogado fora ou usado como alimento) acontece num terreno baldio na principal entrada da vila, voltada para a Avenida Loureiro da Silva. Os papeleiros parecem ignorar a frase pintada no muro, que avisa: “É proibido entulho e lixo aqui, não insista”. Compreensível, já que eles não têm muita escolha. Aquela é a única área livre de que dispõem, o resto está tomado de barracos.

As 182 famílias que moram nessa favela cheia de casebres de papelão com teto de plástico vivenciaram seis incêndios nos seis últimos anos. É fácil entender porquê. Os moradores furtam luz por meio de “gatos” instalados em fiações precárias, de bitola estreita. Curto circuitos são o estopim do fogo nas residências de madeira.

Os que não improvisam eletricidade jantam à luz de velas – o que não tem nada de romântico e aumenta o perigo de produzir uma tragédia. Da última vez, em 26 de janeiro, 35 casebres foram destruídos pelo fogo.

A Vila Chocolatão é bem mais antiga do que muita gente pensa. Quando a sua mais antiga moradora, a pipoqueira Rosângela Carvalho Braga, 42 anos, se instalou ali, em 1984, já existiam três moradores no amplo terreno bem localizado.

Na época, ela era papeleira e morava embaixo dos trilhos do Aeromóvel, numa barraquinha de papelão e zinco. Foi expulsa por PMs e decidiu invadir o terreno ao lado do edifício conhecido como Chocolatão. Só anos depois, quando os barracos eram centenas, Rosângela descobriu que a área pertence à Justiça Federal.

– Isso aqui era puro mato, a gente usava vela para iluminar. Minhas três filhas nasceram e se criaram aqui. A Renata está hoje com 21, a Camila com 19 e a Bruna, com 18. Melhorei de vida e, por nós, não saímos daqui – avisa Rosângela, que durante as tardes cuida do neto Gabriel, dois anos.

Cadê o fucking lead? Cadê o 3Q+COP? Cadê a formação de opinião, típica da Zero Hora?

Isso quer dizer que o jornalismo não está perdido e que o jornalista não está fadado ao corporativismo das grandes empresas, se tornando um reporter de redação, só a base de telefone e internet para coletar dados.

Depois disso, é realmente possível acreditar que tem gente boa no PSDB, que nem todo juiz de futebol é ladrão e nem todo colorado é amargo.

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