Protesto contra protesto

Toda forma de protesto é valida, quando bem fundamentada. E dentre muitas formas de protesto, eis que surge o grafite. Apesar da prática ser exercida des do império romano, foi a partir dos anos 90 que começou a ser usado como arte-protesto. Hoje em dia,  é um dos exemplos mais fortes de arte de rua e que está tomando conta do planeta. Além disso, o grafite, já virou produto de consumo, onde grafiteiros são contratados para pintar muros e  fachadas de diversos lugares pra quebrar aquele cinza-concreto comum na selva de pedras.

Porém, falsos grafiteiros esqueceram da origem deste “produto” e vem se utilizando desta arte pra ganhar dinheiro, o que tem gerado muita polêmica no meio dos artistas de rua. Ao invés de dar continuidade a essa discussão interminável, um grupo de pixadores preferiu agir, com o intuito de protestar contra a mercantilização do grafite e defender os ideais da arte-protesto. Eles invadiram a Galeria Choque Cultural, famosa por divulgar e vender as artes do meio underground, pixando paredes, quadros e obras expostas no local.

Um protesto fantástico, onde a muito tempo não viamos nada desse porte. Em cinco minutos o grupo entrou, deixou sua marca e foi embora. Me fez lembrar dos tempos da ditadura militar, quando jovens invadiam e pixavam prédios públicos em defesa da liberdade de expressão.

Oras, utilizar do grafiti para pintar muros, mesmo que o grafiteiro ganhe pra isso, é uma coisa, mas decorar telas utilizando da técnica de grafitagem para enriquecer com a arte que surgiu como forma de protesto, é outra bem diferente. A arte é de rua e por isso, tem que estar nas ruas e não em telas penduradas em paredes de burguêses que a tempos atrás a criticavam.

É valido lembrar, que neste caso, eu sou um mero espectador que vê a situação de fora e que defende de uma opinião contrária a de muitos. Eu não sou do meio do grafite, mas não poderia deixar de expressar minha opinião a respeito deste assunto.

É valido lembrar também, que o responsável principal por esse ato é Rafael Guedes Augustaitiz, o mesmo que foi expulso em julho, do Centro Universitário Belas Artes, onde ele, juntamente com outros

40 jovens foram a universidade com latas de spray que escondiam sob as roupas, cobriram a fachada, recepção, escadas e salas de aula com as letras pontudas de difícil decifração que caracterizam a pichação paulista. Seguranças e pichadores trocaram socos e pontapés, e a PM acabou prendendo sete jovens –Augustaitiz, entre eles.

O estudante considerava a ação seu TCC (trabalho de conclusão de curso), última etapa antes da formatura. “Considero criminosa a ação do aluno. Não considero esta ação como arte. Não considero a possibilidade de aceitar essa manifestação como trabalho de conclusão de curso”, afirmou a professora do rapaz, Helena Freddi, dias depois da ação.

Trecho retirado da Folha de São Paulo

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