Balas pro Baleiro

Não seria eu, se eu chegasse na hora certa. Novamente estava atrasado. O show já havia começado e o Opinião estava bem cheio pra uma quarta-feira chuvosa. Obviamente, as pessoas com quem eu tinha combinado de me encontrar, já estavam lá dentro há algum tempo. Doce ilusão seria acreditar que eles estariam próximo a porta da entrada, ou nos entornos do bar. Claro que não. Eles queriam sentir a emoção do show, colado no palco, bem próximo das caixas de som. De fato, não há lugar melhor. Entre pisadas e empurrões, finalmente consegui encontrá-los. “Até que fui rápido, ainda nem terminou a primeira música”, pensei.

Era a primeira vez que ia a um show do Zeca Baleiro, mas já suspeitava da energia que rolaria por lá. Zeca estava lançando o seu novo álbum, “O Coração do Homem Bomba” e como eu ainda não havia tido tempo para ouvir as novas músicas antes do show, depois de tomar conciência daonde estava, me desliguei do mundo e mesmo atrasado, começei a entrar no clima do local.

Entre uma música e outra, a Ju me traz de volta à terra por alguns instantes para me mostrar o que ela tinha levado pra lá. “Olha só o que eu trouxe”, disse, abrindo a mão. Era um pacotinho, bem embrulhado, com uma fitinha, dessas de presente. “São balas. Eu vou jogar pra ele”, completou. Ao final da frase, dei uma risadinha, meio sem entender o que ela queria dizer com isso e no instante seguinte, já me desligava do mundo novamente.

O casal na nossa frente estava bem emocionado. Por instantes acreditei estar num show do Capital Inicial, pela tamanha empolgação que eles pulavam. Na verdade, o cara. A guria era mais contida, apesar que em alguns momentos, extravasava. Acho que era o primeiro show da vida dele. Até uma cotovelada, uma hora ele deu nela. Aquela euforia toda do casal da frente, ao mesmo tempo que me divertia, me distraia, e eu ficava entre idas e vindas ao que realmente me interessava, que era ver o show.

E nessas idas e vindas, aquela história da Juliana de jogar balas, não saía da minha cabeça. E por falar nisso, foi no meio desses devaneios que ela o fez. Ele estava contando algum caso para descontrair o público, quando ele olhou pro lado direito do palco, onde nos encontrávamos, e pudemos ver o embrulho voador. Caiu nos pés dele. Parecia que tinha sido calculado. Ele pegou o pacote, agradeceu, sem nem saber o que era e pendurou no pedestal do microfone. A Juliana tava que era só sorriso ao ver que seu presente havia chego ao seu destino e que agora estava em boas mãos.

Foi quando aconteceu: o pacote caiu do pedestal, fazendo assim, cair algumas balas do saquinho. Zeca Baleiro pegou o seu presente do chão e entregou ao um Roadie, pedindo que levasse para dentro, para degustá-las depois. “Seria muito massa se ele jogasse algumas balas para o público” pensou alto a Ju, que adoraria ver suas balinhas de fã para o ídolo, virarem um presnte do ídolo para os fãns. Oras, foi um presnte como tantos outros que ele já ganhou, mas que teria seus valores invertidos quando devolvido ao público, que nunca havia ganho nada do Zeca Baleiro.

Baleiro… Baleiro… Baleiro… É CLARO! Tudo fez sentido. A Ju levou balas pro Baleiro. Era apenas uma brincadeira. Uma sacada bem ligeira. Eu que nunca tinha me dado conta que o Baleiro do Zeca, vinha de balas.

Finalemnte, depois disso, pude me desligar novamente e curtir o show sem que nada me atrapalhasse. Nem o casal da frente conseguia mais me distrair. Mas aí já era tarde. As luzes se acenderam e os músicos foram para frente do palco serem ovacionados pela galera que pedia mais. “Mas que show curtinho, já acabou” falei pra Ju, que no mesmo instante já puxava o seu celular para ver as horas. “Dé, acho que não foi tão curtinho assim, já se passaram duas horas”, respondeu tão apavorada quanto eu.

De fato, quando a coisa é boa, nem sentimos o tempo passar…

3 respostas para Balas pro Baleiro

  1. Ju disse:

    Balas pro baleiro…por um instante me senti um tanto que idiota…mas que nada, apenas demonstrei meu carinho a um músico q admiro muito…Balas, nada melhor que balas para adoçar a vida do Zeca “Baleiro” né Dé? hehhehehe

    Foi um show Bahhhhhhhhh, sem palavras…

  2. Gabi disse:

    cara pálida a ju falou mil vezes no Da a historia das balas…
    depois eu que sou a loiira

    ai ai ai
    “O casal na nossa frente estava bem emocionado”

    epa epa epa!!!
    Tão roubando nosso espaço?!

    aassim não né

  3. Tiele disse:

    [i]”Não seria eu, se eu chegasse na hora certa.”[/i]

    Percebo que há outras semelhanças. hahaha! que couusa!😛

    ok. voltarei a passar por aqui, também!😀

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