Apesar de ofuscada, painel levanta questões importantes para a comunicação

Ao longo da ultima semana, em comemoração aos 35 anos do curso de Comunicação Social na Unisinos, foi organizada a Semana da Comunicação. Nesta semana, ocorreram palestras e oficinas de todos os agrados ao longo de todo o dia. Na terça-feira, dentre as atividades que estavam ocorrendo no turno da noite, o painel “Democratização dos meios de comunicação” foi pouco procurada pelos estudantes de jornalismo. Talvez porque no mesmo dia ocorresse a tão esperada e polemica palestra com os assessores de comunicação do MST.

Apesar de ofuscado, o painel realizado no Diretório Acadêmico de Comunicação Social TUPAC AMARU contou com a presença de James Görgen do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), Josué Lopes da ABRAÇO (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária) e José Maria Nunes, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, além de aproximadamente 20 estudantes de comunicação.

A discussão levantou questões como o monopólio de redes privadas de televisão em cima de emissoras regionais, que ao todo somam 16 redes que detem o controle de um pouco mais de 80% das pequenas emissoras. Além disso, foi exposto através de slides a hegemonia da Rede Globo, que por ter maior controle que as outras emissoras em mídias como rádios, sites, jornais e revistas, além do grande controle em cima de outras emissoras de televisão, recebe um alto investimento publicitário por parte de empresas privadas e órgãos públicos. Um grande exemplo disso é o Grupo RBS, que possui controle de 55 meios de comunicação em todo o estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Ainda sobre os investimentos publicitários, foram apresentados dados que mostram que mais de 90% dos investimentos nas emissoras de televisão atualmente, vem por parte da publicidade e propaganda.

Já as discussões sobre rádios trouxeram assuntos menos polêmicos, porem, não menos importantes. Foi debatido assuntos como o controle de mais da metade das rádios brasileiras que estão sob poder dos políticos prejudicando assim, o jornalismo livre e de verdade, tornando um defensor e propagandista de idéias de um sujeito e/ou partido. Além, é claro, de defender seus financiadores.

Josué Lopes acrescentou que a ABRAÇO apóia a queda da ANATEL por ela estar a serviço do sistema e de nenhuma maneira favorecer a democratização da comunicação.

Ao fim do Painel, José Maria falou sobre a comunicação como ensino e os rumos que vem tomando, trazendo para o grupo sua preocupação de perder a comunicação social para o que ele chama de comunicação de mercado. Ou seja, a perda da comunicação que além de formar um profissional, forma também um individuo, com opiniões e idéias livres, tornando o cidadão, um simples objeto que ao se formar, pouco tem de opinião própria e que só quer saber, de certa forma até inconsciente, um objeto de manipulação do mercado. Uma pessoa que está pronta para trabalhar, mas sem consciência alguma, que só aplica no seu dia-a-dia o que academia ensina, sem pensar, sem criar, sem transformar. Simplesmente aceitando tudo numa boa.

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