A volta dos que não foram

4 agosto, 2015

Este blog foi criado em 2008 por este que vos escreve com o objetivo de servir como um laboratório de ideias de – naquele momento – um proto-jornalista. Por duas vezes este blog foi ‘desativado’ por razões corriqueiras da vida, sendo a última por longos cinco anos até o presente momento.

Aquele proto-jornalista cheio de esperanças e ideologias já se formou e à época, viu que a realidade é completamente diferente do mundo das ideias. Ao contrário do senso comum, deixou tudo o que não tinha para trás e foi viver a vida. Percorreu por terras exóticas, viveu experiências do outro lado do mundo, e hoje mora em Montevideo, Uruguai.

Não há queixas dos últimos anos, apesar de 2014 ter sido pesado demais. Especialmente o inverno com o seu frio e seus dias gris. Que deixa tudo gris, até o mais feliz dos viventes. O frio que nos presenteia com uma melâncolia, uma nostalgia, uma agonia…

Por sorte o inverno dura três meses e logo vem a primavera, abençoada com o abrir das flores e que chega ao som de tambores de Candombe, avisando que chegou a hora de direcionar a vida para o rumo desejado.

Após todas as tormentas passadas, o sol brilhou por muitos dias seguidos, e apesar de ser inverno novamente, o estado de espírito é outro. Um muito melhor. E é neste astral que eu dou o reinício aos trabalhos deste blog, buscando utilizá-lo como uma alternativa a ditadura Facebookiana, onde todos acreditam que aquela página é o muro das lamentações.


Atraso

14 agosto, 2015

“No meu atraso habitual, eu estava uma hora adiantado”


Como um beija-flor

10 janeiro, 2011

Estava disposto e ainda estou. Compartilho de intensidades, sensações, forças, pensamentos e vontades. Por isso mesmo que me disponho e me atraio. Do contrário, me distrairia.

Na contramão, a distinção é a ótica no prisma. Não me martirizo – o que não quer dizer que, por vezes eu não me culpe – mas confio nas conspirações universais que levam ao inevitável. Disso eu não fujo, pois se fizesse, seria o mesmo que negar o óbvio.

 

“As consequencias são exatamente porporcionais ao tamanho das expectativas dadas  aos atos e ações”.


Blue pill

20 dezembro, 2010

Na busca por justificativas, acabamos nos focando em alguma explicação e nos fechamos para o restante das infinitas possibilidades.


No trem

20 dezembro, 2010

Lá estava eu, sentado no chão de uma das portas do último vagão do trem, atrasado para variar, ao som de qualquer coisa que costuma tocar no meu mp3 e bebâdo de sono, como de praxe.

O coletivo lotado me impedia de observar o que acontecia a cinco metros de mim.

Entre uma cochilada e outra, ao cruzar as estações, procurava ver se não vagava um lugar para eu sentar.

Eis então que no meio daquela longa e rotineira viagem, as pessoas como boaiada, desembarcam e eu encontro a minha distração.

Como quem acaba de entrar em um sonho bom, eu observava aqueles pézinhos, que mais pareciam duas bisnaguinhas – diga-se de passagem – naqueles sapatos de tirinhas, deixando a mostra os perfeitos dedos, e um salto de uns 8 cm.

Meus olhos, que nem ousavam piscar seguiram subindo por aquelas pernas lisas, onde uma correntinha prateada adornava o tornozelo esquerdo.

Eu estava embriagado, drogado, sonhando. Não sabia se aquilo era real ou fruto da minha imaginação. Aquelas pernas me ludibriavam, me tirando do mundo real e me transportando a um novo mundo delirante.

Era visível a minha idiotice por aquelas pernas… quando cheguei nos joelhos, eles pareciam que diziam: “veeem”.  Foi quando eu voltei a minha sanidade e tentei domar os meus impulsos.

Me fiz de louco e fechei os olhos, como se eu tivesse voltado a dormir. Mas aquela imagem não saia da minha cabeça. Quando abri os olhos novamente, ela já estava de pé, na porta a frente, esperando chegar sua estação para descer.

Em uma questão de segundo, eu, naquele estilo matinal de pesudo-jornalista-hippie de esquerda com sono, queimava por dentro logo cedo da manhã contemplando aquelas pernas…


Verde (ou colírios para os olhos)

15 dezembro, 2010

Apesar da alegria que lhe tomava conta devido aos acontecimentos recentes ao longo do dia, ele havia chego no “brilho” em casa e não tinha planos para sair. Seus amigos da faculdade lhe telefonaram para uma cerveja amiga, porém, é de conhecimento de todos os bons bebedores, que não existe UMA cerveja amiga. Elas normalmente ultrapassam a contagem dos dedos das mãos.

Mas como suas duas últimas semanas foram regadas a largas noites trocadas pelos dias, seguido de muita coca-cola nas manhãs seguintes e sua alegria contagiante ainda pulsva em seu sangue, não soube dizer não e mais uma vez brincou de ser morcego pela noite.

Com a facilidade de um carro tudo fica perto, considerando também o tamanho da pequena cidade. Em poucos minutos os quatro foram para um lado que não é muito frequente por eles, mas que também trás boas opções. Não só boas como novas, pois acabaram entrando em um antro, uma casa – ou como queiram chamar -, que nunca haviam ido.

O local estava bem vazio, apenas um dos dois andares estava aberto ao público, e mesmo assim, parte da área ocupada estava fechada também. Entretanto, deve ser levado em consideração que se tratava de uma terça-feira de dezembro, período que a galera tá atolada com seus trabalhos finais.

Ao lado do bar, cada um com seu copo de cerveja, apreciavam um bom rock’n roll enquanto adimiravam as garotas ali presentes.

Um degustava sua cerveja, o outro dançava loucamente. O terceiro trovava a bargirl, seja pra levar pra casa, seja conseguir desconto na próxima bebida, e ele escorado em uma parede, só observando tudo que acontecia por lá. Nada escapava de seus olhos: as rodas de dança, as garotas, o DJ mixando o som, a bargirl, a galera jogando conversa fora no balcão, os casais sentados nas mesinhas do fundo…

Foi então que ela apareceu. Discreta e sozinha. Não é qualquer um que notaria sua presença logo de cara. Cabelo preso, levemente caído, calça jeans, um sapato de salto com os pés a mostra  e uma camiseta cinza com a gola propositalmente cortada  e com o Zé Carioca estampado.  “Meu Deus, quem é que vai pra uma festa com uma camiseta com o Zé Carioca estampado? Quem é que tem uma camiseta com o Zé Carioca estampado?”, pensou. Era muita ousadia. Ela conseguia chamar atenção e ser discreta ao mesmo tempo. Provocante e modesta.

Atravessou o salão séria com uma garrafinha de água em uma das mãos. Parou perto do balcão e enquanto parecia que procurava alguém conhecido, se divertia com os raios de luz, tentando pegá-los, como se nunca tivesse ido a uma festa.

Ao perceber que estava sendo observada, abriu um singelo sorriso. E que sorriso! Ele durou por poucos segundos, mas foi o suficiente para perceber sua sinceridade e suas covinhas.

Mas foi só. Apenas uma rápida troca de olhares e a apresentação de um belo sorriso. Logo ela já encontrara os amigos que procurava e como se estivesse saltitando, foi de encontro a eles.

Provavelmente ela era dançarina. No seu caminhar já era visível uma leveza distinta. Sua cintura e seu tronco pareciam dois corpos distintos. Quando ela entrou na dança ela mexia todos as partes do corpo de uma maneira sincronizada e perfeitamente proporcional.

Ele não conseguia tirar os olhos dela. Estava hipnotizado. E como não estaria…ela transbordava sensualidade. Mas não era para qualquer um. Apenas para aqueles que sabem admirar sem “babar”.

Era definitivamente um colírio para os olhos em plena terça-feira. (fato que não acontece nos finais de semana).


Mundo B

22 outubro, 2010

As ideias vagam por pensamentos vazios e sem fundamentos, enquanto o coração que arde em chama tem vontade de explodir. O estomago embrulha, enquanto as horas não passam e a ansiedade tem de ser controlada, mesmo que forçosamente.

Há tempos que ele não passava por uma situação assim. Sentia-se um adolescente de 15 anos, mesmo beirando os 27. Talvez fosse mesmo um adolescente. Talvez mais, talvez fosse um garoto, uma criança. Era assim que ele se sentia. Mesmo tendo que tomar decisões importantes, afinal comandava um grupo de sete pessoas em uma ONG.

A ONG era conhecida como Seres da Terra, mas ela atuava, não só em ações ambientais, mas em atividades políticas, sociais e culturais. Seu público alvo era jovens universitários, que tinha interesse em conhecer algumas possibilidades de ajudar o mundo a não ir direto pro ralo e para isso organizava ações e intervenções criativas de conciência social.

Bom, o caso é que a tempos ele não via aquela garota e como de praxe, marcaram de se encontrar em um lugar nada convencional: em um parque de diversões.

“Caceta, quem é que marca um encontro num parque de diversões??” pensou ele, se lembrando que mesmo sendo uma quinta-feira no final da tarde, sempre há um milhão de crianças gritando, uivando, gospindo, vomitando… e normalmente é díficil manter uma conversa de qualquer cunho por mais de cinco minutos.