O gancho do Capitão Gancho (parte 2)

22 Abril, 2009

Agora passemos este exemplo de proporções micro, para um tamanho maior, de envolvimento e participação, mesmo que indireta, de todos os cidadãos.

Todo mundo aqui paga, ou deveria pagar, regularmente seus impostos. Impostos esses, que não são nada baratos, assim como as mensalidades da Unisinos, que além dos repasses, investem em coisas que a gestão atual acredita ser de interesse ou agrado do bem comum da comunidade acadêmica da universidade. Hoje priorizam uma coisa, amanhã outra gestão priorizará outra.

Bem, isso acontece, ou deveria acontecer, também com nossos impostos. Assim como a mensalidade, deveriamos ter um retorno daquilo que pagamos com as taxas e tudo mais.

O imposto que pagamos deveria suprir nossas necessidades básicas como: saúde, educação, saneamento, segurança…, como dizem que deveria ser uma democracia. Porém, com uma má gestão, não é bem assim que a banda toca.

Na real, eu nem falaria em má adimistração. Eu diria sacanagem mesmo. A maioria dos políticos usam do dinheiro público para benefício próprio, como por exemplo, o caso do uso indevido das cotas de passagens áereas.

Mais de 200 deputados, de um total de 513, utilizaram das cotas para viagens a passeio pelo Brasil, Estados Unidos e Europa. E se não bastasse, usaram de suas cotas para “ajudar” seus parentes ou amigos a viajarem também, nestes “passeios” de férias, ou não.

Eu, particularmente, não sou contra que os Deputados tenham cotas para viajarem pelo Brasil e exterior, contanto que a viagem feita tenha como finalidade alguma atividade política. Também não sou contra que os deputados utilizem de suas cotas para custear a viagem de terceiros com a mesma finalidade.

Mesmo que eu fosse contra, isso é claramente autorizado pelo regimento interno da Câmara, que prevê que as cotas são de uso para atividades políticas.

Uma volta rápida a análise micro das coisas…

A grana que o DA recebe da Unisinos, pra mim, pode, e deve, ser investido em encontros de estudantes, seja ele em Caxias do Sul, Curitiba ou São Luis do Maranhão. Mesmo que representando o diretório só vá uma única pessoa. É o uso do dinheiro público para uma viagem, com uma finalidade política.

Porém, se algum DA ou alguém que faça parte dele, usar do dinheiro para viagens de cunho pessoal, ou interesse particular, como por exemplo, passear em Gramado, ou passar as férias em São Paulo, (ou até em coisas menores, como se auto-promover), isso sim é roubalheira. É usar o que é dos outros para benefício próprio.

Obviamente não poderiamos ser vistos como casos iguais, pois o uso do dinheiro para viagens, foram aplicados com intuitos distintos.

Contudo, na situação macro das coisas, não é o que vem acontecendo.

Como disse, mais de 200 deputados vêm usando de suas cotas para viagens pessoais, entretanto, há quem use elas somente para atividades políticas, só que infelizmente são colocadas na vala comum, com a ajuda da mídia, dando a entender que todo político é mal caráter, interesseiro.

Tem como comparar, ou pior, dizer que são iguais, casos em que, de um lado, temos, por exemplo, o próprio presidente da Câmara, Michel Temer, que afirmou ter usado de suas cotas para viajar, juntamente com sua família, para Porto Seguro, no litoral baiano; e do outro, a Luciana Genro, que pagou com sua cota de passagens, para levar de Brasília a Porto Alegre o delegado da PF, Protógenes Queiróz, para palaestrar na capital gaúcha sobre corrupção, uma das principais bandeiras combatidas pela deputada? É claro que não tem comparação! 

Oras, se de um lado vemos um deputado que usou do benefício para seu bem e de seus familiares e de outro, temos uma deputada que usou da vantagem para fins políticos, é possível colocá-los os dois no mesmo saco e dizer que os casos são iguais? Creio que não.

Por essas e por outras que sou a favor do voto nulo!


O gancho do Capitão Gancho (parte 1)

22 Abril, 2009

Eu sei que trabalhar com dinheiro público não é algo fácil. Na verdade, é uma responsabilidade que não tem tamanho, pois tudo tem que ser justificado. É claro que aonde este dinheiro será investido, nem sempre é de interesse de todos.

Sendo mais claro: o dinheiro pode ser investido em algo que um grupo A possa não gostar, mas um grupo B goste e vice-versa. Assim como pode ser aplicado em algo que A e B gostem, mas C acha ruim.

Lá na Unisinos, eu faço parte do DA de Comunicação e Recebemos um repasse mensal da universidade de quase 300 reais. E é assim para todos os CAs e DAs. Esse repasse que a Unisinos faz, não é por bondade e preocupação com o Movimento Estudantil dentro do campus, mas sim, por obrigação em retornar o dinheiro dos estudantes, para trabalhos organizados por estudantes.

Há diretórios que preferem recusar esse repasse, pois veem que esta ajuda prejudica na sua independência. É tipo como pensar na Unisinos como os nossos pais e os DAs como os filhos que querem sair de casa. “Oras, como ser independente, se ainda recebo a mesada do papai”? É o pensamento de alguns jovens – e também de alguns DAs e CAs que querem sair debaixo da asa dos pais – no caso, da Unisinos.

Pois bem, assim como há DAs que preferem ser independentes, há também os que acham que o dinheiro repassado pela Unisinos é um direito conquistado. Neste modelo, inclui-se a grande maioria dos Diretórios, inclusive o de Comunicação.

Mas como falei, trabalhar com o dinheiro público não é fácil, porém, a forma como ele é investido, varia de gestão para gestão. Por exemplo, a última gestão do DA de Comunicação, preferiu investir boa parte da grana do estudante, em propagandas de auto-promoção para tentar uma reeleição. Pouco, mas muito pouco mesmo, foi feito com o intuito de gastar a grana do estudante, para o estudante.

O motivo disso era que havia na época, uma gestão pífea, já que não tinham condições de criar atividades para um coletivo, “comprando” idéias prontas de entidades ditas representativas dos estudantes – leia-se UNE e UJS – como poderiam adiministrar bem o bem público?

Picuinhas a parte, e tempos depois, o quadro virou e há quem pense que onde investimos a grana não é de interesse comum. Normal. Isso sempre irá acontecer. Se usamos o dinheiro para organizar uma festa, com o intuito de integrar a galera da comunicação, há quem argumentará que deveriamos usar para debates. Se usamos o dinheiro para trazer alguém para um debate, há quem pense que deveriamos usar para participar de encontros da área. Ainda não chegamos a participar de encontro algum, mas se tivéssemos participado, haveria alguém que diria que o melhor seria investir em festas de integração.

É uma loucura. Como falei, cabe a quem adiminstra a grana, saber onde acha que ela será melhor aplicada para contemplar a maioria. Mas é lógico que ela deve ser investida para atividades políticas, sociais, culturais e/ou desportivas cabiveis ao Diretório.


Já se foi o disco voador…

22 Abril, 2009

Você se lembra em quem votou para deputado federal nas utlimas eleições (refresh: 2006)?

Se sim, dá uma olhada nessa lista aqui para ver por onde ele passeou, levando junto as vezes, amigos e parentes, por tua conta, seu bocó.

Na lista da pra ver também o total de viagens que ele fez. Confere aí!

Propaganda: O estudo foi feito pelo site Congresso em Foco, responsável por estudar, analisar, cuidar e denunciar as bizarrices do nosso Congresso. Quem gosta de política - e deveriam, pois é igual ou melhor que novela, tendo por vezes, cenas engraçadas, dramáticas, que mesclam mocinhos e bandidos – não pode deixar de ler.


E as fotos cascata continuam em alta

11 Abril, 2009

Eu posso estar ficando louco, mas confesso nunca ter visto esses indicadores de saída das arquibancadas do Olímpico, como mostra a foto.

celso-rothFaz um certo tempo que não vou ao Monumental, por falta de tempo ($$$), mas sempre que posso compareço ao estádio. Porém, contudo, todavia, entretanto, eu realmente nunca prestei atenção nestes sinalizadores. Por outro lado, e posso estar enganado, mas acredito que estes nem existem.

O que me faz crer nisso, é que como a foto foi tirada no momento em que Celso Roth foi demitido do Grêmio, e ia embora do estádio, seria de grande sacação os indicadores mostrando os rumos da saída, como acontece na foto.

Na terça-feira, um dia após a demissão do Roth, Paulo Sant’ana escreveu na sua coluna de Zero Hora e publicou em seu blog (ctrl+c; ctrl+v) o texto intitulado “Sem substituto pra Roth”.

Eu costumeiramente comento em alguns blogs da Zero Hora. O do Paulo Sant’ana muito raramente, exatamente por achar ele um idiota que não sabe o que diz. Mas desta vez comentei, só que não a respeito do texto, e sim falando da foto que ilustrava o texto.

Quero frizar que o comentário que fiz, foi no mesmo dia em que o post foi publicado.

comentario_blog1

A intenção da imagem a cima era de mostrar o post do Sant’ana e ao lado meu comentário que fiz. Mas quem quiser conferir o que escrevi, pode clicar aqui

Por via das dúvidas, marquei o ítem que me informa que meu comentário foi publicado no blog. Eis então que hoje recebo a surpresa. Hoje, dia 11 de abril, recebo o e-mail de confirmação, ou seja, só hoje que meu comentário foi ao ar.

confirmacao

Seria mera coincidência um comentário que foi escrito a quatro dias atrás só ser publicado hoje e mesmo assim, ele ser datado como do dia 7? E mais: seria loucura pensar que, a Zero Hora, para não passar por anti-democrática não publicando meu comentário, só o fez quatro dias depois, depois que o post do Sant’ana já havia caido no esquecimento e ninguém iria ler o comentário perdido entre os muitos outros?

Já imaginaram que chato seria se todos os 91 comentários (logicamente, a maioria gremista e frequentadores do Olímpico) ao irem ao estádio procurassem observar se há ou não os sinalizadores, e caso a resposta fosse negativa, que não há sinalizador algum, como eles poderiam permitir em ser denunciados dentro do próprio meio deles, que é o Blog so Sant’ana?

Sobre foto cascata leiam sobre o caso do Professor Ungaretti no blog Cão Uivador e veja as conseqüencias de criticar as grandes mídias no seu blog particular, o Ponto de Vista


AVISO!

8 Abril, 2009

Confesso estar cansado de escrever sobre questões mundanas. Tentarei para os próximos posts escrever sobre a mídia e a crítica a ela, a proposta pelo qual fiz este blog.


O homem e o macaco

8 Abril, 2009

Qual a diferença mesmo entre o homem e o macaco? Os dois são mamíferos, andam de pé, se articulam com as mãos… bem, o macaco é um pouco menor que o homem e possui rabo, algo que tinhamos também, alguns milhares de ano. Esse não deve ser o diferencial. Acho que a diferença está  no homem…deixe-me pensar….ah sim, é isso mesmo: o homem pensa! Será?!

 O macaco como um ser irracional, age, obviamente, por instinto. Pode-se dizer, na verdade, que o instinto animal do macaco é bem desenvolvido. Ele é um animal esperto, que sabe usar as ferramentas que a natuerza lhe dá – leia-se, galhos, folhas e pedras – para se alimentar e sobreviver.

Na sua irracionalidade, ele vive unicamente para sobreviver e seu trabalho é esse. O de sobreviver. Funcionando como um mecanismo dentro da cadeia animal, onde se alimenta de frutas, verduras e insetos; e serve de alimento para animais carnívoros maiores. E isso é valido para todos os animais, incluisve nós, seres pensantes.

Cada animal tem sua ferramenta natural de sobrevivência no mundo, tanto para comer quanto para não ser comido. Uns tem asas pra voar, outros visão noturna, outros tem grandes pêlos, outros grandes garras, grandes dentes, audição aguçada, faro aguçado… escamas, traquéias, nadadeiras, uns são velozes, outros se camuflam na natureza… enfim, cada animal tem seu diferencial, tanto para fugir das suas presas, quanto para localizá-las.

Ou seja, no final das contas, eles comerão para virarem comida. O adubo fortalece os vegetais (que vivem de água e fotossintese), que são  comidos pelos insetos, que são devorados por ratos, que são degustados pelas cobras, que no dia seguinte vira o prato principal de  alguma ave que pode vir a ser alimento de algum felino, que quando morre, ao se decompor vira comida de moscas , que é o prato preferido dos sapos, que também servem de alimento das cobras e…

Nossa, estamos na cobra de novo. Sim, o cíclo é interminável. E isso é uma dádiva divina, confesso. É a cadeia alimentar funcionando naturalmente. Como se cada animal fosse uma peça de uma máquina. É perfeito.

E com o homem não seria diferente. A nossa ferramenta de sobrevivência é a racionalidade. Apesar de muita semelhança com o macaco, nós somos diferentes porque pensamos. Para muitos, isso nos torna superiores a eles, porém, eu discordo totalmente.

Oras, ser um ser pensante também é uma dádiva.Isso deveria nos tornar um ser crítico, analítco e observador de tudo que nos rodeia. Só que me parece, que há pessoas que não sabem usar o amendoim que carrega dentro da cabeça e parece agir pior que nossos primos primatas.

Eu me refiro aquelas pessoas que não se questionam o motivo deles estarem no mundo, que vão levando a vida no “automático”, sem fazer idéia do que é instinto. Trabalham, pra ganhar dinheiro, mas não sabem o que estão fazendo e o que isso pode interferir no mundo em que vive.

Ou seja, ter um cidadão como esse trabalhando – e que não são poucos -, ou um macaco, daria no mesmo, pois ambos não pensam, não criticam, não questionam. Simplesmente vivem, com a diferença que o macaco é treinado ou adestrado para tal, o homem, não deveria ser…


O poder de uma novela

8 Abril, 2009

Uma das maiores facinações do povo brasileiro, são as novelas aqui produzidas. São realmente produções incríveis. Produto de exportação, é um sucesso no exterior, do mesmo modo que os filmes Holiwoodanos são para os Estados Unidos, as novelas são para o Brasil.

Mas, assim como os filmes de Holiwood já cairam numa tendência repetitiva padronizada, com mocinho, mocinha e vilão, – e isso independe de ser filme de ação, aventura, comédia ou drama – e com final feliz, as novelas também seguem um padrão. Com mocinhos, mocinhas e vilões. Tem gente que morre no meio da novela e ninguém sabe quem matou e a dúvida segue até o último capítulo. Sem esquecer dos casamentos e dos inumeros trabalhos de parto que acontecem, terminado tudo em final feliz também.

Bem, na relidade, na contemporaneidade, nada mais se cria, tudo se copia. Neste caso, depois que descobriram a fórmula do sucesso para vender as novelas, muda-se o nome, o cenário, os personagens, mas de resto, a história é sempre a mesma.

E é incrível como isso vende. Como o povo se interessa e nem percebe que a novela atual, é igual a anterior, que é igual a anterior e que será igual a futura. A novela sempre foi um meio de manipulação. Todavia, antigamente, além de mais criativa e original, ela procurava fazer uma crítica a sociedade da época, ou o governo vigente. 

Atualmente, as críticas foram deixadas de lado e passaram a ser tratados temas polêmicos pertinentes a sociedade, pautando a mídia, de maneira que as pessoas acabam usando como argumento “o caso da novela”. Quer dizer, a novela fala sobre um assunto específico e a mídia passa a produzir mais notícias sobre o o fato na vida real e, não raramente, comparando com o acontecimento da novela.

Hoje a novela se tornou ainda mais, uma maneira de formar opinião e  isso é visto de maneira escancarada. A construção de um personagem determina se ele será bandido ou mocinho e alguns casos, o que é desenhado como bandido, passa a ser visto como bandido na vida real também. E vice-versa.

Me lembro vagamente de um exemplo que aconteceu na Malhação, no mesmo período (coincidentemente, claro) da onda de greves e invasões às reitorias, em especial na USP e na UnB, que levaram a queda dos seus respectivos reitores, por uso ilícito de verbas públicas para benefício próprio. 

Na novela – se é que podemos chamá-la assim, por ela não ter fim e ninguém se lembrar mais como ela começou - o fato foi que, um grupo de estudantes estavam tentando organizar um Grêmio Estudantil. E era engraçado ver a maneira como eles faziam a inversão de valores, pois  aqueles que gostariam de fazer revindicações estudantis, ou protestar por melhorias na escola, eram desenhados como os baderneiros, que se vestiam de preto, que matavam aula e etc e tal. Já os bonzinhos eram aqueles que simplesmente queriam fazer festas e organizar atividades de auto-promoção, pois afinal, popularidade é o que importa.

Logicamente, a construção da imagem desses personagens na novela, foi refletida na vida real. No caso real, muita gente passou a ver aqueles manifestantes como baderneiros, que só querem matar aula e bla bla bla.

E inocente é quem não acredita nisso. Que pensa que isso é mera coincidência, ou fruto da imaginação de alguém que acredita na Teoria da Conspiração.

Mas é lógico que é muito melhor tentar saber quem matou Odeth Roithman, do que saber onde a governadora tirou dinheiro pra comprar sua casinha, ou que aconteceu com os cidadãos envolvidos no mensalão. Estão presos? Devolveram o dinheiro da cueca?

Conclusão: Vida real é um saco! viva a novela!


Pressa infernal

8 Abril, 2009

Duas coisas diariamente me tiram do sério:

- Todos os dias, mais exatamente às 17h41min, eu pego o Diretão lotado do trampo para o centro. Esse não é o problema. O que me incomoda é TODOS que lá dentro estão, saberem que o ônibus vai para um destino comum, logo, todos deverão descer do coletivo no mesmo lugar, a estação de oônibus da Praça XV, ao lado do Mercado Público.

Quando chegamos no centro, no famoso, horário de pico, não é raro pegar uma leve tranqueira, alguns metros antes da estação. Mas parece que o povo não vê que a via está engarrafada e não se dão conta que TODOS irão descer, e logo começam a se coçar, se levantar, e tomar a direção da porta. Agora eu pergunto: Pra quê?

A verdade é que, pra quem tá de pé, como é o meu caso 87,3% das vezes, é um saco ver as pessoas se acumulando no corredor, enquanto o ônibus está preso no trânsito e ainda falta minutos para ele chegar ao fim da linha.

Pô, custa esperar o ônibus parar para se levantar? Acredito que ir se levantando não vai desengarrafar a rua e tampouco fazer o ônibus chegar mais rápido na estação.

- A segunda coisa que me tira do sério, vem logo em seguida. Que me parece ser o processo inverso ao do primeiro caso.

Como estudo na Unisinos, vou para lá de trem, que lógicamente pego depois de descer do Diretão. Após subir a escada rolante, logo depois da roleta, me deparo, todos os dias, com uma multidão na plataforma a espéra do mesmo trem. Nada muito fora do comum. Contudo, quando ele chega, as pessoas se atropelam umas nas outras, se empurram e se apertam pra conseguir um lugar para sentar.

Isso sem falar no desrespeito que com as senhorinhas e os tiozinhos, ignorando-os, como se não tivessem ali olhando para estes apressados com uma cara de “por favor, eu quero me sentar”.

É pressa pra descer do ônibus, pressa subir no trem, é pressa pra tudo. E qual é o motivo de toda essa pressa mesmo? Tem gente que nem sabe, mas tem pressa só pra não perder o costume. Tem pressa de viver e esquece que o melhor da vida se vive sem pressa.

Atualização desatualizada: Fiquei apavorado com o que vi, voltando de Brasília, no feriadão de páscoa, no domingo retrasado. O sinal luminoso de sintos atados nem tinha se apagado, o avião nem tinha parado e as pessoas já estavam se levantando para retirar sua bagagens de mão, formando filas no corredor, antes mesmo de as portas se abrirem para o desembarque. Tinha um cara que se levantou de sua poltrona, naquela pressa, e não deve ter percebido o entruncamento que havia no corredor, ficando de pé todo torto, por ser maior que a distância do chão até o bagageiro de mão, do avião. E por pelo menos, cinco minutos ficou assim. Até que se deu conta que sua posição não estava confortável e voltou a se sentar. Engraçadíssimo!


¿Por qué no te callas, Roth?

8 Abril, 2009

Por muito tempo aqui neste blog, defendi o Roth, acreditando que nem tudo era responsabilidade e/ou culpa dele. Depositei confiança acreditando que ele seria capaz de levantar o caneco da Libertadores, mesmo sabendo que ele é um técnico que NUNCA ganhou nada.

Após sucessivas partidas feias, vitórias perdidas, estratégias bizarras de Celso Roth, – e se não bastasse, 4 derrotas seguidas para nossos co-irmãos - minha paciência foi chegando ao fim, e como tudo tem limite, aqui não seria diferente.

Chega um momento que fica impossível tentar defender um cidadão cabeça-dura, egoista e sem visão. Se ele realmente tivesse coerência no que diz, fizesse jus ao alto salário que ganhava (220 mil) e tivesse uma boa relação com a torcida, acredito que as coisas seriam diferentes.

Mas agora já era. A esta altura já deve estar com as malinhas prontas para sair de Porto Alegre. Se é que já não saiu. Porém, mesmo depois da sua demissão, Roth continua metendo os pés pelas mãos. Particularmente, chega a ser engraçado ler tal notícia assim, logo de manhã:

Roth ironiza: É mais desastroso perder Gre-Nal que a Libertadores
Para ex-técnico do Grêmio, dirigentes são torcedores com cargo

O técnico Celso Roth demostrou em entrevista à Rádio Jovem Pan, de São Paulo, o quanto ficou desapontado com a diretoria do Grêmio pela decisão de demiti-lo após a derrota no Gre-Nal do último domingo. Irônico, o treinador criticou a importância dada pelos dirigentes à derrota para o rival no Beira-Rio, em detrimento à campanha do time na Copa Libertadores.

É mais desastroso perder Gre-Nal que (perder) a Libertadores. Foi a conclusão que cheguei depois da decisão da nossa direção, infelizmente. Lutamos muito para sermos campeões brasileiros e se, não conseguimos, lutamos muito para chegarmos à Libertadores. Quando chegamos, temos de fazer um planejamento, porque simplesmente é o maior e melhor campeonato da América do Sul. Mas parece que o Gre-Nal tem mais força – declarou o treinador.

A bronca de Celso Roth não se deve apenas à demissão, mas também à decisão que ele diz ter sido imposta pela direção, de colocar em campo os titulares no clássico do último final de semana. O treinador afirmou que, por também serem torcedores do Grêmio, os dirigentes agiram de maneira passional.

– O que são os dirigentes? São torcedores com cargo. Aí temos de ter cuidado com este tipo de coisa, porque a emoção falou mais alto na hora de colocar (no Gre-Nal) os jogadores que vêm disputando a Libertadores. Falou mais alto a voz  do torcedor, não a da razão – disse o técnico.

Roth acredita que sua demissão foi uma resposta à torcida após ver o time sofrer três derrotas em Gre-Nais neste ano.

– A direção optou pela razão emocional, que muitas vezes é irracional – alfinetou.

Roth fala em planejamento. Gostaria de saber, do que ele se refere. Jogar contra o Caxias, um jogo praticamente ganho antes mesmo de começar, com os reservas para poupar para Libertadores, foi planejamento? Isso deve explicar a goleada que tomamos. Claro, nada mais sensato do que deixar os jogadores em banho Maria por uma semana para jogar.

Ou será que ele visava a eliminação de uma vez do Gauchão? Bem, não considero isso correto, afinal, como diz a música “o meu time quando joga é pra vencer”, na verdade até, me parece um posicionamento derrotista, de perdedor. Porém, já que estava competindo, deveria ir pra ganhar. Motivar a torcida e os jogadores, sabe?

Felipão, em 95, jogou ao mesmo tempo dois torneios, além da Copa Libertadores que viria a ser campeão. Jogou também o Gauchão, o qual também saiu campeão e foi vice da Copa do Brasil (na época ainda se jogava a Copa do Brasil e Libertadores juntos).

 Isso é planejamento. É pensar pra frente, com vontade de vencer. Pensamento de campeão. E olha que o time o Felipão comandava naquele ano não era muito melhor que esse que Roth tinha nas mãos.

Sem planejamento e sem noção das bandas por onde anda. Roth, que já treinou os dois clubes de Porto Alegre deveria ter uma noção da importância de um Gre-nal. Quer dizer, não é nada demais, só o maior clássico do Brasil e entre os maiores da América Latina e do mundo. SÓ ISSO! A situação se agrava quando esse clássico, tem pesos desiguais, e ao invés de tentar equilibrar, ignora-se tudo e torce pra derrota, visando o “planejamento”.

Foram 7 Gre-nais sem vitória. 3 empates e 4 derrotas. CONSECUTIVAS!!!

Por fim, o cara fala em racionalidade e passionalidade. Talvez ele deva ter esquecido em algum lugar nesse mundo que futebol é 30% razão, 70% emoção, caso fosse o contrário, nossos jogadores, como qualquer outro de qualquer lugar, seriam grandes gênios.

Se Roth fosse um vencedor inteligente, saberia que para ele se manter na casa-mata por mais um tempo, bastaria vencer o gre-nal do centenário no Beira-Rio, eliminando-os do gauchão.

Mas foi exatamente pelo contrário que ele foi demitido. Não sabe lidar com a agenda do futebol de participar de vários torneios. Se foca em um, e se perde nos dois.

Mais uma vez, Roth perdeu a chance de ficar calado.


“Em 20 anos trabalhando nesta Indústria Vital, esta é a primeira vez que isso me acontece”

3 Abril, 2009

Hoje vi que o jornalismo tem salvação.

Quem me conhece sabe que não tenho grandes admirações pela Zero Hora e seu estilo jornalístico corporativo. Mas assim como não podemos dizer que todo político é corrupto, que todo petista é de esquerda, não podemos colocar no mesmo saco, todos os jornalistas desta empresa de jornalismo e dizer que eles são sutis manipuladores, formadores de opinião. 

Sim, eu realmente estou falando isso. Não podemos generalizar e dizer que todos são tendenciosos. Não quer dizer que um dia não virem, mas por enqunato, há as exceções da regra.

A prova disso foi hoje, quando li a seguinte matéria do jornalista Humberto Trezzi, no site da ZH:

Zero Hora mostra o pesadelo chamado Vila Chocolatão
Área se transformou em chaga urbana no centro da Capital

“Até no lixão nasce uma flor”, avisa o grafite desenhado com capricho num dos muros de entrada da Vila Chocolatão, no coração de Porto Alegre. Pode ser. Mas o mais comum é nascerem ali ratos do tamanho de gatos, gatos do tamanho de cães, pombos que ingerem sobras de comida e crianças que brincam em meio ao lixo. Vez que outra se avista uma planta, em um daqueles bem-vindos caprichos da natureza.

A Vila Chocolatão, situada ao lado do prédio marrom da Receita Federal, o que lhe garantiu o apelido, é um pesadelo urbano que teima em assombrar a Capital. Vive imersa no lixo e dele tira seu sustento, já que a comunidade revende aquilo que é rejeitado pelos moradores do Centro. Sacos e mais sacos de detritos se empilham no fundo dos casebres, uma armadilha que assusta qualquer quem conhece o local.

As malocas não têm água encanada ou saneamento. A criançada passeia de pés descalços em meio a línguas negras de esgoto a céu aberto, até por falta de que fazer – inexistem creches na vila. As poças de água misturada a fezes estão sempre repletas de mosquitos e larvas de insetos. Poucos barracos dispõem de banheiros, a maior parte utiliza sanitários coletivos doados pela prefeitura.

A principal entrada, que deveria ser o cartão-postal da vila, está tomada por um lixão ao ar livre. Acocorados, moradores disputam ali sacos de detritos apodrecidos. Catam sobras de papel, metal e plástico para vender. Mais do que a principal, essa é praticamente a única atividade econômica da comunidade.

Início da formação foi na década de 80

A separação do lixo seco (rentável) do orgânico (jogado fora ou usado como alimento) acontece num terreno baldio na principal entrada da vila, voltada para a Avenida Loureiro da Silva. Os papeleiros parecem ignorar a frase pintada no muro, que avisa: “É proibido entulho e lixo aqui, não insista”. Compreensível, já que eles não têm muita escolha. Aquela é a única área livre de que dispõem, o resto está tomado de barracos.

As 182 famílias que moram nessa favela cheia de casebres de papelão com teto de plástico vivenciaram seis incêndios nos seis últimos anos. É fácil entender porquê. Os moradores furtam luz por meio de “gatos” instalados em fiações precárias, de bitola estreita. Curto circuitos são o estopim do fogo nas residências de madeira.

Os que não improvisam eletricidade jantam à luz de velas – o que não tem nada de romântico e aumenta o perigo de produzir uma tragédia. Da última vez, em 26 de janeiro, 35 casebres foram destruídos pelo fogo.

A Vila Chocolatão é bem mais antiga do que muita gente pensa. Quando a sua mais antiga moradora, a pipoqueira Rosângela Carvalho Braga, 42 anos, se instalou ali, em 1984, já existiam três moradores no amplo terreno bem localizado.

Na época, ela era papeleira e morava embaixo dos trilhos do Aeromóvel, numa barraquinha de papelão e zinco. Foi expulsa por PMs e decidiu invadir o terreno ao lado do edifício conhecido como Chocolatão. Só anos depois, quando os barracos eram centenas, Rosângela descobriu que a área pertence à Justiça Federal.

– Isso aqui era puro mato, a gente usava vela para iluminar. Minhas três filhas nasceram e se criaram aqui. A Renata está hoje com 21, a Camila com 19 e a Bruna, com 18. Melhorei de vida e, por nós, não saímos daqui – avisa Rosângela, que durante as tardes cuida do neto Gabriel, dois anos.

Cadê o fucking lead? Cadê o 3Q+COP? Cadê a formação de opinião, típica da Zero Hora?

Isso quer dizer que o jornalismo não está perdido e que o jornalista não está fadado ao corporativismo das grandes empresas, se tornando um reporter de redação, só a base de telefone e internet para coletar dados.

Depois disso, é realmente possível acreditar que tem gente boa no PSDB, que nem todo juiz de futebol é ladrão e nem todo colorado é amargo.