Como um beija-flor

10 janeiro, 2011

Estava disposto e ainda estou. Compartilho de intensidades, sensações, forças, pensamentos e vontades. Por isso mesmo que me disponho e me atraio. Do contrário, me distrairia.

Na contramão, a distinção é a ótica no prisma. Não me martirizo – o que não quer dizer que, por vezes eu não me culpe – mas confio nas conspirações universais que levam ao inevitável. Disso eu não fujo, pois se fizesse, seria o mesmo que negar o óbvio.

 

“As consequencias são exatamente porporcionais ao tamanho das expectativas dadas  aos atos e ações”.


Blue pill

20 dezembro, 2010

Na busca por justificativas, acabamos nos focando em alguma explicação e nos fechamos para o restante das infinitas possibilidades.


No trem

20 dezembro, 2010

Lá estava eu, sentado no chão de uma das portas do último vagão do trem, atrasado para variar, ao som de qualquer coisa que costuma tocar no meu mp3 e bebâdo de sono, como de praxe.

O coletivo lotado me impedia de observar o que acontecia a cinco metros de mim.

Entre uma cochilada e outra, ao cruzar as estações, procurava ver se não vagava um lugar para eu sentar.

Eis então que no meio daquela longa e rotineira viagem, as pessoas como boaiada, desembarcam e eu encontro a minha distração.

Como quem acaba de entrar em um sonho bom, eu observava aqueles pézinhos, que mais pareciam duas bisnaguinhas – diga-se de passagem – naqueles sapatos de tirinhas, deixando a mostra os perfeitos dedos, e um salto de uns 8 cm.

Meus olhos, que nem ousavam piscar seguiram subindo por aquelas pernas lisas, onde uma correntinha prateada adornava o tornozelo esquerdo.

Eu estava embriagado, drogado, sonhando. Não sabia se aquilo era real ou fruto da minha imaginação. Aquelas pernas me ludibriavam, me tirando do mundo real e me transportando a um novo mundo delirante.

Era visível a minha idiotice por aquelas pernas… quando cheguei nos joelhos, eles pareciam que diziam: “veeem”.  Foi quando eu voltei a minha sanidade e tentei domar os meus impulsos.

Me fiz de louco e fechei os olhos, como se eu tivesse voltado a dormir. Mas aquela imagem não saia da minha cabeça. Quando abri os olhos novamente, ela já estava de pé, na porta a frente, esperando chegar sua estação para descer.

Em uma questão de segundo, eu, naquele estilo matinal de pesudo-jornalista-hippie de esquerda com sono, queimava por dentro logo cedo da manhã contemplando aquelas pernas…


Verde (ou colírios para os olhos)

15 dezembro, 2010

Apesar da alegria que lhe tomava conta devido aos acontecimentos recentes ao longo do dia, ele havia chego no “brilho” em casa e não tinha planos para sair. Seus amigos da faculdade lhe telefonaram para uma cerveja amiga, porém, é de conhecimento de todos os bons bebedores, que não existe UMA cerveja amiga. Elas normalmente ultrapassam a contagem dos dedos das mãos.

Mas como suas duas últimas semanas foram regadas a largas noites trocadas pelos dias, seguido de muita coca-cola nas manhãs seguintes e sua alegria contagiante ainda pulsva em seu sangue, não soube dizer não e mais uma vez brincou de ser morcego pela noite.

Com a facilidade de um carro tudo fica perto, considerando também o tamanho da pequena cidade. Em poucos minutos os quatro foram para um lado que não é muito frequente por eles, mas que também trás boas opções. Não só boas como novas, pois acabaram entrando em um antro, uma casa – ou como queiram chamar -, que nunca haviam ido.

O local estava bem vazio, apenas um dos dois andares estava aberto ao público, e mesmo assim, parte da área ocupada estava fechada também. Entretanto, deve ser levado em consideração que se tratava de uma terça-feira de dezembro, período que a galera tá atolada com seus trabalhos finais.

Ao lado do bar, cada um com seu copo de cerveja, apreciavam um bom rock’n roll enquanto adimiravam as garotas ali presentes.

Um degustava sua cerveja, o outro dançava loucamente. O terceiro trovava a bargirl, seja pra levar pra casa, seja conseguir desconto na próxima bebida, e ele escorado em uma parede, só observando tudo que acontecia por lá. Nada escapava de seus olhos: as rodas de dança, as garotas, o DJ mixando o som, a bargirl, a galera jogando conversa fora no balcão, os casais sentados nas mesinhas do fundo…

Foi então que ela apareceu. Discreta e sozinha. Não é qualquer um que notaria sua presença logo de cara. Cabelo preso, levemente caído, calça jeans, um sapato de salto com os pés a mostra  e uma camiseta cinza com a gola propositalmente cortada  e com o Zé Carioca estampado.  “Meu Deus, quem é que vai pra uma festa com uma camiseta com o Zé Carioca estampado? Quem é que tem uma camiseta com o Zé Carioca estampado?”, pensou. Era muita ousadia. Ela conseguia chamar atenção e ser discreta ao mesmo tempo. Provocante e modesta.

Atravessou o salão séria com uma garrafinha de água em uma das mãos. Parou perto do balcão e enquanto parecia que procurava alguém conhecido, se divertia com os raios de luz, tentando pegá-los, como se nunca tivesse ido a uma festa.

Ao perceber que estava sendo observada, abriu um singelo sorriso. E que sorriso! Ele durou por poucos segundos, mas foi o suficiente para perceber sua sinceridade e suas covinhas.

Mas foi só. Apenas uma rápida troca de olhares e a apresentação de um belo sorriso. Logo ela já encontrara os amigos que procurava e como se estivesse saltitando, foi de encontro a eles.

Provavelmente ela era dançarina. No seu caminhar já era visível uma leveza distinta. Sua cintura e seu tronco pareciam dois corpos distintos. Quando ela entrou na dança ela mexia todos as partes do corpo de uma maneira sincronizada e perfeitamente proporcional.

Ele não conseguia tirar os olhos dela. Estava hipnotizado. E como não estaria…ela transbordava sensualidade. Mas não era para qualquer um. Apenas para aqueles que sabem admirar sem “babar”.

Era definitivamente um colírio para os olhos em plena terça-feira. (fato que não acontece nos finais de semana).


Mundo B

22 outubro, 2010

As ideias vagam por pensamentos vazios e sem fundamentos, enquanto o coração que arde em chama tem vontade de explodir. O estomago embrulha, enquanto as horas não passam e a ansiedade tem de ser controlada, mesmo que forçosamente.

Há tempos que ele não passava por uma situação assim. Sentia-se um adolescente de 15 anos, mesmo beirando os 27. Talvez fosse mesmo um adolescente. Talvez mais, talvez fosse um garoto, uma criança. Era assim que ele se sentia. Mesmo tendo que tomar decisões importantes, afinal comandava um grupo de sete pessoas em uma ONG.

A ONG era conhecida como Seres da Terra, mas ela atuava, não só em ações ambientais, mas em atividades políticas, sociais e culturais. Seu público alvo era jovens universitários, que tinha interesse em conhecer algumas possibilidades de ajudar o mundo a não ir direto pro ralo e para isso organizava ações e intervenções criativas de conciência social.

Bom, o caso é que a tempos ele não via aquela garota e como de praxe, marcaram de se encontrar em um lugar nada convencional: em um parque de diversões.

“Caceta, quem é que marca um encontro num parque de diversões??” pensou ele, se lembrando que mesmo sendo uma quinta-feira no final da tarde, sempre há um milhão de crianças gritando, uivando, gospindo, vomitando… e normalmente é díficil manter uma conversa de qualquer cunho por mais de cinco minutos.

 


Cigarro e jornalismo

23 setembro, 2010

Apesar de não ser fumante, eu realmente acredito no poder que ele exerce na cabeça das milhares de mentes brilhantes espalhadas pelas mais variadas salas de redação do mundo. Talvez por se tratar de uma profissão demasiadamente estressante, o cigarro sirva como uma fuga das demais preocupações mundanas para que o jornalista se concentre única e exclusivamente no seu texto.

Na verdade, penso que há uma relação além disso. Rola uma sinceridade entre as reflexões do jornalista e as fumaças do cigarro. É como se aquelas nuvens de carbono abrissem portas de percepção e sensibilidade, criando um novo mundo de possibilidades nos pensamentos vagos do artista e escritor.

Melhora (ou piora, para os não fumantes como eu) quando estas mentes brilhantes se reunem, não só para fumar os seus cigarros, mas para compartilhar suas ideias. E estas ideias começam criando asas, até que as fumaças, como em uma dança se misturam, passando a tomar formas, que posteriormente são transformadas em textos de genialidades ímpares.

Mas como qualquer outro vício, o do cigarro é algo muito particular. Por isso, há quem, de maneira eogista (para a minha alegria), ou não, prefira simplesmente fumá-lo na individualidade do seu lar, ou, do seu momento de produção. E outros somam a este vício, o de tomar café, chimarrão, cerveja, cachaça, tequila, whisky…

É claro, cada uma dessas bebidas também trazem um pouco da sua particularidade (tudo na minha humilde opinião, é claro) mas que também tem o seu charme e influência na arte da produção de uma notícia.

Entretanto, falarei sobre estes vícios em outros posts…


Forno Alegre…

3 fevereiro, 2010

“Porto Alegre é demais…” já dizia a música da Sra Fogaça. Realmente, Porto Alegre é demais. É uma cidade que só quem vive nela entende e se apaixona.

Um passeio pela orla do Gasômetro até o Marinha para ver um pôr-do-sol; um domingo regado a chimas na Redenção depois degustar um suco na Lanchera, um sorvete na Jóia ou um xis no Speed. Ver Gre-nal na Cidade Baixa e ir comemorar na Goethe. É tomar uma ceva no Bambus antes de ir na sinuquinha, no Cabaret ou Porão do Beco ou no Garagem Hermética. É beber Polar, só pra se sentir mais gaúcho, mesmo que ela tenha o mesmo gosto que a Skol. E no inverno, se entupir de roupa, tomar quentão, chocolate quente, fazer fondue, dormir juntinho, e todas as coisas boas que o clima frio nos proporciona.

São essas e outras coisas que fazem de Porto Alegre uma cidade demais, mesmo que pra quem vem de fora não ache, pois os atrativos realmente turísticos são escassos, pros locais esse mesmismo é encantador.

Porém, no verão, Porto Alegre se transforma. Vira a capital da Babilônia. Enquanto boa parte da população “vaza” para o litoral, sempre há alguns remanecentes que ficam na querida Forno Alegre.

É algo que não dá pra agüentar. Temperaturas que beiram 40ºC e sensações térmicas que chegam a 45ºC, sem nem bater uma brisa sequer. Filas nos hospitais, água contaminada, pressão que cai, falta de luz pelo consumo excessivo de energia, noites de insônia e sair suado de um banho gelado, são alguns dos fatores que fazem de Porto Alegre um inferno no verão.

Não recomendo nem para o meu pior inimigo.

Sugestão do editor: Fujam enquanto é tempo! Previsão é de aumento de temperatura até segunda-feira.

Atualização: Com uma mínima de 27,9°C, Porto Alegre registrou hoje a mais alta temperatura mínima em fevereiro desde a década 40, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O recorde já dá uma ideia do que promete ser a tarde de calor na Capital e Região Metropolitana, onde as máximas devem ficar entre 38ºC e 40°C.” 


De volta a ativa (2ª tentativa)

3 fevereiro, 2010

Após uma tentativa falída, enquanto eu estava no Uruguai (o que foi idiotice da minha parte não ter dado continuidade) de atualizar o blog, agora, de volta a Porto Alegre, quero ver se retomo ao bom e velho habito de escrever, criticar e reclamar.

Vamos ver o que sai nos próximos dias…


De volta a ativa!

19 outubro, 2009

Depois de muito tempo ausente, aqui estou eu, diretamente de Montevideo, Uruguai, para seguir este blog, agora com análises e histórias deste pequeno país ao sul da América Laina.

Para quem ainda não sabe, desde o dia 18 de julho, estou vivendo nessa cidadezinha de um milhão e quinhentos mil habitantes, que também é a capital do país – que por sinal, não tem mais que três milhões e tresentas pessoas. Para se ter uma idéia, o país é um pouco menor que o estado do Rio Grande do Sul, porém, Porto Alegre e região metropolitana juntos, tem a mesma população de todo um país.

Buenas, breve voltarei contando mais novas…


Precisa-se de jornalistas na RBS

26 maio, 2009

Um dos preceitos básicos da faculdade de jornalismo é SEMPRE cuidar com o que se escreve, principalmente se tratando de reproduzir matérias de outras mídias (famosa clipagem), para não escrever nenhuma besteira. Mas me parece que isso é algo ignorado pelos jornalistas da RBS:

Imprensa venezuelana destaca dificuldade de enfrentar o Grêmio
Jornais lamentam que os dois times do país peguem brasileiros nas quartas-de-final

A tradição do Grêmio, bicampeão da Copa Libertadores, chama a atenção dos jornais da Venezuela. O diário 2001 destaca na manchete nesta terça: “Quem detém os brasileiros?”, se referindo às missões ingratas de Caracas e Nacional, que enfrentarão Grêmio e Palmeiras, respectivamente. O outro confronto das quartas com brasileiros será entre Cruzeiro e São Paulo. A publicação destaca que o time gaúcho foi o melhor time na fase de grupos da competição continental.

— É uma partida complicada, pois o Grêmio tem grandes jogadores. Mas nós estamos muito bem, estamos seguros que será uma grande partida — declarou o atacante do Caracas Emilio Rentería.

O El Universal abre a reportagem sobre o jogo com uma declaração do técnico Noel Sanvicente, pregando tranquilidade aos seus comandados.

— Sabemos da qualidade do rival, difícil como todo brasileiro, vão querer fazer gols, mas nós devemos ter a personalidade para fazer nosso jogo e buscar o resultado — salientou.

O jornal destaca os retornos do volante e capitão Luis Vera e do lateral-direito Giovanni Romero, recuperados de lesão.

— É um encontro importante, tanto pelo lado pessoal como no coletivo, porque é muito bonito para um jogador estar em uma partida assim, histórica para o Caracas, porque é a primeira vez que estamos buscando a classificação às semifinais — observou Romero.

Já o Meridiano estampa que o Grêmio buscará um empate com gols.

— Um empate com gols seria bom. Assim faremos prevalecer a vantagem no Olímpico — declarou o meia Tcheco.

A publicação diz ainda que o capitão gremista pregou respeito ao Caracas, apesar de reconhecer que o time tem poucas informações do rival venezuelano (Marcelo Rospide observou jogos para passar dados aos jogadores). O jornal citou também a estreia do técnico Paulo Autuori na Libertadores com o Grêmio.

Não se averigua mais nada, não? Desde quando o Nacional é da Venezuela??? Além do mais, na própria matéria do jornal “Diário 2001″ ele cita o Nacional como um time do Uruguay. Além do mais, eles não podem lamentar que “os dois times do país peguem brasileiros”, pois só há UM time da Venezuela ainda na competição!

Sugestão: Colegas formandos ou formados em jornalismo, envie seu currículo para a RBS, pois me parece que estão precisando de novos jornalistas.


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